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Terça, 27 Janeiro 2026 17:39

"MPLA não é democrático": Candidatura única na OMA criticada

Em ano pré-eleitoral, a corrida inédita ao secretariado-geral da OMA ficou marcada pela renúncia inesperada de Graciete Sungua, levantando suspeitas de interferência política e críticas à democracia interna do MPLA.

A corrida ao secretariado-geral da Organização da Mulher Angolana (OMA) prometia ser histórica em 2026. Estava previsto ser disputada por duas candidatas, pela primeira vez em três décadas. Pelo menos, era assim que parecia, quando Emília Carlota Dias e Graciete Sungua viram as suas candidaturas aprovadas num processo eleitoral interno.

A 19 de janeiro, o Bureau Político do MPLA aprovou as propostas de candidaturas ao cargo. Contudo, um dia depois, tudo mudou.

Renúncia sob suspeita e críticas à democracia interna

O braço feminino do MPLA foi, na altura, elogiado pela "maturidade" democrática. No entanto, quando divulgou a renúncia de Graciete Sungua, tornou-se alvo de suspeitas de interferência política pela imprensa local. Contactada pela DW, a agora ex-candidata não se quis pronunciar sobre o caso.

"Vemos um golpe muito forte a toda aquela estrutura de marketing político e mais: porém, estamos aqui diante de uma tinta indelével que eles jogam contra si mesmos, manchando tudo quanto eles criaram", afirma Amadeu Lucas, ativista e comentador, que considera o impacto deste episódio bastante negativo para a imagem do MPLA.

O 8.º Congresso Ordinário da OMA decorrerá entre 28 de fevereiro e 1 de março, em Luanda, sob o lema "Mulher angolana: Unidas para transformar os desafios em conquistas". Está prevista a participação no congresso de mais de 2.500 delegadas de Angola e da diáspora.

Deverá ser um evento importante num ano pré-eleitoral, mas o episódio em torno da candidatura de Graciete Sungua revela bem as linhas com que o MPLA se cose, refere o ativista Cruz de Deus.

"O MPLA não é democrático. Caiu por terra toda a narrativa de crer que o MPLA é democrático, porque a candidata Sungua foi coagida para desistir da concorrência e deixar livre a candidata do partido, aquela que agrada ao partido", acrescenta.

Congresso da OMA e implicações políticas no ano pré-eleitoral

Emília Carlota Dias, agora candidata única, é deputada do MPLA, eleita pelo círculo nacional. Foi membro da Assembleia Constituinte em 2010 e primeira vice-presidente da Assembleia Nacional. Foi também a preferida do Comité Nacional da OMA, com 115 votos a favor, em oposição aos 49 votos de Graciete Sungua.

Cruz de Deus afirma ainda que Sungua "apresentou uma biografia riquíssima e depois, diretamente ou indiretamente, já teve apoio da Tchizé dos Santos, e istoterá mexido com o regime. Tchizé fez um áudio a elogiar a Graciete Sungua. Se calhar, o crivo do regime pensou que era uma pedra no sapato."

Além da eleição da nova secretária-geral, o 8.º Congresso Ordinário da OMA definirá orientações estratégicas para o quinquénio 2026/2031. DW

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