Print this page
Quinta, 28 Mai 2026 15:59

Hotel da família do PR da Guiné-Equatorial tranformado prisão para deportados dos EUA

Um hotel da família do Presidente da Guiné-Equatorial, Teodoro Obiang, foi transformado em local de detenção para deportados dos Estados Unidos, ao abrigo de um acordo de cerca de 6,4 milhões euros com a administração Trump.

Segundo a agência de notícias norte-americana Associated Press (AP), que conseguiu ir à ilha de Bioko aproveitando a entrada de jornalistas para acompanhar a visita recente do Papa, Obiang transformou o Bamy Hotel, que pertence à sua família, numa prisão para requerentes de asilo deportados dos Estados Unidos (EUA) ao abrigo de um acordo opaco de 7,5 milhões de dólares (cerca de 6,4 milhões de euros) com a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Das pelo menos 32 pessoas que estiveram detidas no Bamy Hotel desde novembro, 25 foram forçadas a regressar aos seus países de origem em África, onde as suas vidas podem estar em perigo, e as restantes enfrentam pressão das autoridades para sair, como relataram à AP.

O hotel é um ponto de passagem para homens e mulheres de Angola, Eritreia, Etiópia e Mauritânia, segundo a agência de notícias norte-americana.

Os presos não enfrentaram nenhum abuso físico mas sentem pressão psicológica intensa, segundo os relatos recolhidos, e risco de perseguição no seu país de origem, dizem os especialistas em direitos humanos.

A administração Trump utiliza deportações para terceiros países como uma brecha legal, dizem advogados de imigração, para forçar indiretamente os requerentes de asilo a voltarem aos seus países de origem.

Sob uma série de acordos, a administração Trump deportou milhares de pessoas para quase duas dezenas de países terceiros, dizem os defensores, tudo parte da ampla repressão da imigração nos EUA.

Os países com acordos estão predominantemente no mundo em desenvolvimento, de acordo com o grupo Third Country Deportation Watch, incluindo cerca de uma dúzia em África.

A administração Trump recusou-se a comentar os detalhes do seu acordo com a Guiné Equatorial, e um porta-voz do Departamento de Estado disse apenas que Washington se mantém "firme no compromisso de acabar com a imigração ilegal e em massa."

A administração Obiang não respondeu a um pedido de comentário.

Representantes da Organização Internacional para as Migrações da ONU e da sua agência de refugiados visitaram o hotel em novembro e prometeram aos deportados que voltariam mas nunca voltaram, segundo a AP.

A Guiné Equatorial, pais marcado pela corrupção e pelas violações dos direitos humanos, é um dos países mais ricos de África graças aos seus recursos petrolíferos, desde que na década de 1990 começaram as perfurações de petróleo ao longo da costa do país.

O subsequente 'boom' transformou a economia, mas mais de metade da população ainda vive em pobreza e a riqueza do país, alimentada pelo petróleo, foi em grande parte apropriada por Obiang e a sua família, segundo grupos de defesa dos direitos humanos.

Rate this item
(0 votes)

Latest from Angola 24 Horas

Relacionados

Template Design © Joomla Templates | GavickPro. All rights reserved.