Com a sucessão presidencial já a ser discutida nos bastidores, começam também a ganhar força os nomes de Ana Dias Lourenço, Pitra Neto e Adão de Almeida para a candidatura presidencial.
A escolha de Ju Martins para mandatário da candidatura revela uma tentativa clara de construção de consensos internos num momento em que o partido atravessa uma fase particularmente delicada, marcada por tensões silenciosas, disputas de sucessão e pelo desgaste acumulado de quase cinco décadas no poder.
Ju Martins é, no MPLA, uma das figuras que mais facilmente atravessa correntes e sensibilidades. Poucos dirigentes reúnem simultaneamente a legitimidade histórica, o conhecimento profundo das estruturas partidárias e a capacidade de diálogo com diferentes alas do partido. A sua presença permanente nas estruturas de decisão, desde os tempos do partido-Estado até às atuais dinâmicas mais fragmentadas, faz dele uma espécie de ‘ponte institucional’ entre gerações, grupos económicos e sensibilidades políticas.
A escolha não parece inocente. Ao colocar Ju Martins como rosto político da recandidatura, João Lourenço procura transmitir uma mensagem dupla: estabilidade interna e desincentivo a ‘aventuras eleitorais’ dentro do próprio partido. A leitura dominante nos círculos políticos é que a presença de Ju Martins reduz espaço para candidaturas alternativas, sobretudo as que vinham sendo associadas a figuras como Carlos Feijó ou Higino Carneiro.
Carlos Feijó, embora mantenha influência intelectual e capacidade de articulação em determinados setores do partido e da administração pública, dificilmente conseguiria construir uma maioria orgânica contra uma candidatura patrocinada por um núcleo histórico tão abrangente.
Já Higino Carneiro, que continua a contar com uma base de apoio relevante em estruturas intermédias e em setores ligados ao antigo aparelho político-militar, enfrenta resistências significativas dentro do actual núcleo dirigente, além do desgaste associado a vários processos judiciais e polémicas públicas. Jornal SOL - IOL

