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Segunda, 09 Fevereiro 2026 10:58

Angola pretende adquirir uma participação entre 20% e 30% na De Beers

Angola pretende adquirir uma participação entre 20% e 30% na unidade de diamantes da Anglo American, a De Beers — uma proposta que está a ser discutida com outros países africanos produtores de diamantes —, disse no domingo à Reuters um alto funcionário do Ministério das Minas de Angola.

 A De Beers, uma das maiores empresas diamantíferas do mundo, com operações no Botsuana, Namíbia, Angola, África do Sul e Canadá, foi colocada à venda pela Anglo American face à queda dos preços dos diamantes e ao aumento global dos diamantes sintéticos.

Angola apresentou uma oferta para adquirir uma participação maioritária na De Beers em outubro de 2025, embora inicialmente tivesse procurado uma participação minoritária.

"Assumir uma participação maioritária no segmento dos bens de luxo é muito perigoso, porque depende do mercado", disse Paulo Tanganha, diretor nacional de recursos minerais de Angola, à Reuters, à margem de uma conferência mineira africana na Cidade do Cabo.

"Por isso, para reduzir o risco, temos de ter uma participação que seja sustentável para a nossa economia. E esse intervalo situa-se entre 20% e 30%; estamos satisfeitos com isso."

A oferta de Angola por uma participação maioritária na De Beers colocou o país numa potencial guerra de ofertas com o Botsuana, que detém 15% da De Beers e afirmou estar a trabalhar para adquirir uma participação maioritária na empresa.

Tanganha informou que continuam a decorrer conversações à porta fechada entre o Botsuana, Angola, Namíbia e África do Sul para procurar uma posição comum sobre a forma como cada país beneficiaria de ter uma participação na De Beers, mas ainda não se chegou a um acordo.

"Há um ditado que diz: ‘Juntos somos mais fortes’. É assim que estamos a proceder. E se o meu vizinho está a sofrer, eu também sofro. Por isso, temos de estar juntos e lutar juntos como uma equipa", acrescentou Paulo Tanganha.

No caso de Angola, a empresa pública diamantífera Endiama e a empresa nacional de comercialização de diamantes, a Sodiam, assumiriam a participação na De Beers em nome do governo, declarou ainda Tanganha.

Paulo Tanganha não revelou de que forma Angola irá financiar a aquisição da participação na De Beers, mas disse que o país tem muitas fontes de financiamento.

A Anglo American revelou na passada quinta-feira que estava a rever o valor do negócio de diamantes da De Beers depois de a sua produção de diamantes brutos em 2025 ter caído.

No ano passado, a joint venture da De Beers com a angolana Endiama descobriu um novo aglomerado de kimberlitos no país, a primeira descoberta deste tipo em três décadas, atestando o potencial geológico do país, ainda amplamente subexplorado. O kimberlito é um tipo de rocha rara onde os diamantes são normalmente encontrados.

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Last modified on Segunda, 09 Fevereiro 2026 11:23

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