Mais de 500 perfis humanos foram localizados numa vala comum no Cemitério do 14, em Luanda, no âmbito das investigações sobre os acontecimentos de 27 de Maio de 1977, anunciou, esta sexta-feira, o ministro da Justiça de Angola.
Órfãos das vítimas de 27 de Maio de 1977 denunciaram hoje “erros grosseiros” e “falta de transparência” da comissão angolana encarregada da investigação e entrega dos restos mortais das vítimas da alegada tentativa de golpe de Estado.
O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, afirmou que as histórias das vítimas do 27 de Maio de 1977 "continuam a ecoar como um lembrete sombrio das consequências da intolerância e do autoritarismo", defendendo a construção de um País onde todos os cidadãos "possam viver em segurança e dignidade, livres do medo da repressão e da violência".
Vítimas e órfãos do 27 de maio expressaram “repúdio” face a respostas do governo angolano às Nações Unidas e dizem que não se tratou de um “conflito político”, mas sim de um processo de desaparecimentos e execuções sumárias e extrajudiciais.
Cinco anos depois de João Lourenço ter criado uma Comissão de Reconciliação e dois anos após ter pedido desculpas às famílias das vítimas, a pacificação está longe de ser realidade. Órfãos e sobreviventes criticam a Comissão.