No quadro dos preparativos para o próximo escrutínio, a CNE e a INDRA validaram os modelos dos materiais não sensíveis destinados às assembleias de voto. Entre os equipamentos apresentados encontram-se cabines de votação, urnas e dísticos de sinalização, considerados fundamentais para a organização logística das eleições.
A entrega e validação dos materiais acontecem numa altura em que se intensificam as críticas da oposição relativamente à contratação da empresa espanhola para assegurar as soluções tecnológicas do processo eleitoral. Vários partidos contestam a escolha da INDRA, alegando falta de transparência no concurso público e levantando reservas quanto à fiabilidade do sistema de transmissão e tratamento dos resultados.
As formações políticas opositoras defendem que a centralização dos dados eleitorais através da tecnológica espanhola pode comprometer a imparcialidade do processo, beneficiando alegadamente o MPLA, no poder desde a independência do país.
Nas últimas semanas, partidos da oposição avançaram com diferentes iniciativas judiciais para tentar impedir ou escrutinar a contratação da INDRA. Entre as acções apresentadas constam providências cautelares junto do Tribunal Constitucional e processos submetidos ao Tribunal da Relação de Luanda.
Os críticos da contratação argumentam ainda que persistem dúvidas históricas sobre a transparência dos processos eleitorais em Angola, considerando que o envolvimento da empresa espanhola no apuramento e divulgação dos resultados reforça as suspeitas em torno da independência da gestão eleitoral.
Apesar da contestação política e judicial, a Comissão Nacional Eleitoral mantém o calendário de preparação das eleições gerais de 2027 e prossegue a cooperação com a INDRA na produção e validação dos materiais destinados ao acto eleitoral.

