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Sábado, 09 Mai 2026 16:41

João Lourenço recebe apoio “incondicional” do Bureau Político para nova candidatura

O Bureau Político do Comité Central do MPLA manifestou apoio “incondicional” à intenção do presidente do partido, João Lourenço, apresentar uma candidatura directa à liderança da formação política no próximo congresso ordinário, numa decisão que já começa a gerar reacções críticas em sectores ligados ao debate interno sobre a sucessão partidária.

O anúncio foi feito pelo secretário para a Informação e Propaganda do Bureau Político do MPLA, Esteves Hilário, no final da reunião do órgão realizada em Luanda.

Segundo o dirigente, o Bureau Político foi formalmente informado da intenção de João Lourenço avançar para uma nova candidatura à presidência do partido, tendo os membros do órgão saudado a decisão e declarado apoio político à mesma.

“O Bureau Político do Comité Central do MPLA foi informado da intenção do camarada João Manuel Gonçalves Lourenço de apresentar a sua candidatura directa à presidência do MPLA, tendo nesta ocasião congratulado e manifestado o seu incondicional apoio à mesma”, afirmou Esteves Hilário.

Durante a mesma reunião, João Lourenço informou ainda o órgão de direcção central do partido da nomeação de João de Almeida Martins, conhecido politicamente por “Jú Martins”, como mandatário da sua candidatura.

A posição assumida pelo Bureau Político provocou críticas de alguns analistas e observadores políticos ouvidos pelo AO24, que consideram que o órgão deveria manter uma postura de neutralidade no processo interno de disputa pela liderança do partido.

Entre as vozes críticas está o jornalista José Gama, para quem o apoio antecipado do Bureau Político representa um sinal negativo para a transparência do processo sucessório.

“Começou mal. O Bureau Político não deve manifestar ‘apoio incondicional’ a nenhum dos candidatos à liderança do partido. Para esta disputa o BP deve ser neutro”, defendeu.

O debate sobre a sucessão no MPLA tem vindo a ganhar intensidade nos últimos meses, com vários sectores internos a defenderem maior abertura democrática e competitividade no processo de escolha da futura liderança da organização.

Entre os nomes apontados como potenciais interessados na corrida à presidência do partido surgem Higino Carneiro, António Venâncio, José Carlos de Almeida e Irene Neto, figuras que têm sido associadas às discussões em torno da renovação interna do MPLA.

O próximo Congresso Ordinário do MPLA, previsto para Dezembro, deverá assumir particular relevância política, numa altura em que o partido se prepara para o ciclo eleitoral de 2027 e para a definição da futura liderança política do país.

João Lourenço dirige o MPLA desde 2018, tendo assumido a liderança do partido após a saída do antigo presidente José Eduardo dos Santos.

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