Num artigo publicado nas redes sociais, sob o título “Os Angolanos & a Corrupção — ‘Que vivam os ladrões de colarinho branco! Malditos os gatunos de galinha!’”, o jurista traça um retrato crítico das atitudes sociais face a práticas corruptas, apontando para uma aparente normalização e até admiração por indivíduos envolvidos em esquemas ilícitos.
Segundo o Pré-candidato, é frequente observar cidadãos a enaltecer o estilo de vida de figuras associadas à corrupção, destacando património, viaturas e eventos sociais de grande dimensão. “Muitas pessoas gabam-se das festas pomposas proporcionadas pelos corruptos”, refere, acrescentando que existe também uma valorização simbólica das ligações familiares a estes indivíduos.
José Carlos de Almeida sublinha ainda que, em vários casos, famílias demonstram orgulho em estabelecer relações matrimoniais com descendentes de pessoas envolvidas em actos de corrupção, mesmo quando há conhecimento público de práticas que lesaram o Estado e os cidadãos.
No texto, o pré-candidato alerta que este tipo de comportamento social contribui para a perpetuação do fenómeno, incentivando potenciais infractores. Aponta também para desigualdades no sistema judicial, referindo que processos relacionados com corrupção tendem a arrastar-se no tempo, enquanto crimes de menor impacto económico, como furtos, são julgados com maior rapidez.
Outro aspecto destacado prende-se com o tratamento mediático diferenciado, onde, segundo o autor, a imagem de grandes corruptos é frequentemente protegida, ao contrário de pequenos infractores, cuja exposição pública é mais evidente.
Apesar do cenário traçado, José Carlos de Almeida defende que a prevenção da corrupção deve começar nos núcleos sociais fundamentais, como a família, a escola e a igreja, embora reconheça que esses espaços não estão imunes ao problema.
O jurista conclui que a redução da corrupção dependerá, em grande medida, de uma mudança de atitude colectiva, defendendo uma condenação social mais firme dos envolvidos. Na sua perspectiva, quando a corrupção passar a ser encarada como uma vergonha social, o fenómeno tenderá a diminuir, contribuindo para uma maior responsabilização e integridade na sociedade angolana.

