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Segunda, 20 Abril 2026 11:25

Oposição denuncia “cancro” na AGT e alerta para colapso da gestão pública

A UNITA, o PRS e a FNLA classificam como “um cancro” os recentes escândalos de desfalque na Administração Geral Tributária (AGT), que envolvem desvios de elevados montantes financeiros e expõem fragilidades significativas nos mecanismos de fiscalização e na gestão pública em Angola.

As reacções surgem após a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, ter alertado, no sábado, dia 18, os funcionários da AGT para a ضرورة de respeito pelo erário público. A governante destacou ainda que o reforço dos sistemas de controlo interno e da inovação tecnológica permitiu detectar, de forma célere, uma nova tentativa de fraude, alegadamente envolvendo técnicos da instituição, estimada em cerca de mil milhões de kwanzas.

O porta-voz da UNITA, Francisco Fernandes Falua, criticou aquilo que considera serem “medidas insuficientes” face aos funcionários implicados em esquemas de fraude informática e peculato. Em declarações ao Novo Jornal, o responsável afirmou que o caso “expõe mais uma vez a realidade do país” e defendeu que a solução passa por uma alternância de poder nas eleições de 2027.

Francisco Falua sublinhou ainda a necessidade de esclarecimentos urgentes por parte da ministra das Finanças, considerando a AGT como “uma das principais fontes de corrupção no país” e apontando os sucessivos escândalos como evidência das debilidades no sistema de controlo estatal.

Também Abel Chivukuvuku, líder do PRA-JA Servir Angola, manifestou críticas à actuação da AGT, acusando a instituição de dificultar a actividade empresarial, sobretudo das pequenas e médias empresas. Segundo o político, práticas como a suspensão indiscriminada de números de identificação fiscal (NIF) e o excesso de burocracia têm contribuído para o agravamento das dificuldades económicas e o aumento do desemprego.

Por seu turno, o deputado do PRS, Rui Malopa Miguel, afirmou que os casos de corrupção na AGT geram forte indignação pública e causam prejuízos avultados aos cofres do Estado. O parlamentar alertou para a ausência de medidas eficazes para travar o fenómeno, salientando que o combate à corrupção enfrenta resistências estruturais no seio das instituições financeiras.

Na mesma linha, Gonçalves Buca, membro do comité central da FNLA, criticou a falta de responsabilização criminal dos envolvidos em práticas ilícitas. O dirigente considerou que a AGT não tem cumprido o seu papel de salvaguarda da integridade pública, descrevendo a instituição como um espaço onde muitos procuram benefícios indevidos, em detrimento do desenvolvimento do país.

A ministra das Finanças reiterou que a recente tentativa de fraude foi identificada graças ao reforço dos mecanismos internos de controlo, sublinhando a importância de proteger o erário público. Vera Daves de Sousa deixou ainda um apelo claro ao respeito pelo dinheiro dos contribuintes, numa altura em que se multiplicam os casos de irregularidades na AGT.

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