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Sexta, 27 Março 2026 17:56

FNLA reconhece crispação interna e acusa líder de “teimosia”

O nacionalista angolano e histórico dirigente da FNLA (oposição), Ngola Kabangu, reconheceu hoje que o partido vive uma crispação interna que deverá ser ultrapassada com o congresso de setembro e acusou o atual presidente de "teimosia".

"Estamos numa fase difícil da nossa existência, estamos numa crispação interna, mas vamos dar a volta por cima, temos de saber ouvir uns e outros", afirmou hoje Ngola Kabangu, histórico dirigente e militante da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA, oposição).

Em declarações no final de uma palestra, que presidiu em Luanda no âmbito dos 64 anos do partido que hoje se assinalam, Kabangu, 83 anos, assegurou que não existem alas no seio da organização partidária.

"As alas acabaram para sempre quando se realizou o congresso de reconciliação lem 2021]. Aliás eu nunca fui presidente de nenhuma ala", respondeu aos jornalistas, lamentando a ausência do presidente da FNLA, Nimi a Simbi, no encontro.

A Frente Nacional de Libertação de Angola, que emergiu da então União dos Povos de Angola (UPA), fol fundada em 27 de março de 1962 por Álvaro Holden Roberto um dos signatários do Acordo de Alvor de 15 de janeiro de 1975-e o percurso do partido foi o tema da palestra.

Ngola Kabangu, presidente do partido entre 2007 e 2011, após a morte do líder fundador, acusou Nimi a Simbi de "teimosia, violação sistemática dos estatutos da FNLA e de ser o autor das intrigas no seio do partido".

"Eu não gostaria manchar esta festa, mas é a casmurrice de Nimi a Simbi ainda presidente da FNLA, é muito teimoso, é casmurro, viola sistematicamente os estatutos do partido, exigimos que os estatutos sejam respeitados por todos os militantes, ele abandonou a sessão do Comité Central" (CC), disse à Lusa.

Segundo Ngola Kabangu suspenso em outubro de 2025 do CC e do Bureau Político do partido por Nimi a Simbi (que dirige a FNLA desde 2022) por "insultos e sabotagem à liderança, a palestra foi uma oferta sua ao partido, por ser, frisou, um "humilde historiador" da FNLA.

O plenário do CC da FNLA anunciou na quinta-feira que o VI Congresso Ordinário do partido terá lugar entre 23 e 25 de setembro, tendo acusado o presidente, cujo mandato termina em 30 de setembro, de ser "imperador e ditador".

Membros do Comité Central do FNLA, que convocaram o conclave para setembro, são acusados de pertenceram à ala de Ngola Kabangu e estiveram igualmente presentes na palestra alusiva ao 64.0 aniversário do partido.

Kabangu, que diz ser "antigo combatente do 1.º grau", negou ainda ser o causador de divisões no selo do partido: "O Ngola Kabangu é um militante histórico, com muita humildade, que só quer contribuir para que a FNLA não morra, não seja enterrada, não desapareça".

"Ngola kabangu não luta para nenhum cargo, estarei no congresso como delegado e não como candidato, eu aposto em sangue novo. Tudo estamos a fazer para que a nossa FNLA apareça em 2027 como uma força que vai trabalhar para um lugar digno", realçou.

Para o nacionalista angolano, ex-deputado e antigo ministro do Interior do Governo de Transição de 1975, na sequência dos Acordos de Alvor, que conduziram Angola à independência, as crises internas no partido "entristecem" Álvaro Holden Roberto (que morreu em 2007).

Sobre a FNLA, 64 anos depois, considerou que o partido marcou todo o processo de luta de libertação nacional e contribuiu para que Angola fosse independente, "por isso (...) merece e reivindica o seu espaço, o seu lugar na história de Angola".

Desafiou ainda o Governo angolano a construir uma estátua tridimensional no Largo 1.º de Maio, em Luanda, em homenagem a António Agostinho Neto (MPLA, poder), Holden Roberto e Jonas Savimbi (UNITA), três signatários do Acordo de Alvor, e pediu maior valorização dos antigos combatentes.

A Lusa contactou inúmeras vezes o presidente da FNLA, Nimi a Simbi, mas não obteve resposta.

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