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Quarta, 11 Março 2026 18:25

“Governo transforma sofrimento do povo em estratégia política”, acusa líder da UNITA

O presidente da UNITA acusou hoje o Governo angolano de transformar o sofrimento do povo numa estratégia política de governação e alertou que a pobreza extrema no leste do país alimenta um "cocktail' explosivo".

"Constatamos um modelo de governação que transforma o sofrimento do povo numa estratégia politica. Um Governo que deixa o povo sofrer durante anos para trabalhar apenas em tempo eleitoral demonstra falta de planificação, falta de sensibilidade social e ausência de compromisso patriótico", disse hoje Adalberto Costa Júnior na cidade do Luena.

Em declarações na abertura das XIII Jornadas Parlamentares da União Nacional para a Independència Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição), o político lamentou a extrema pobreza na provincia do Moxico, onde decorrem as jornadas até quinta-feira.

Segundo o presidente da UNITA, esta província do leste de Angola é um território pleno de recursos e riquezas naturais, lamentando que as populações locais vivam em extrema pobreza, exclusão, persistentes violações dos direitos humanos e "penalizadas" pelo distanciamento geográfico aos centros logisticos.

Uma realidade que, no entender do lider da UNITA, potencia um "cocktail' explosivo" que deve apelar às instituições governamentais a desenvolver "programas urgentes" de inclusão, de empregabilidade, de empoderamento da mulher, das famílias e dos jovens.

Adalberto Júnior qualificou a província do Moxico, onde foi fundada a UNITA há 60 anos - a serem completados na próxima sexta-feira como uma terra rica em história, rica em recursos naturais e em recursos humanos, que, "no entanto, enfrenta paradoxalmente alguns dos mais profundos problemas socials do pais".

Criticou o "contraste" entre a riqueza natural e a pobreza humana que enfrenta esta provincia angolana, que dista mais de 1.000 quilómetros da capital, Luanda, considerando que a situação revela "uma das maiores contradições do modelo de governação que Angola tem vivido nas últimas décadas".

"Nós entendemos que um país só se constrói verdadeiramente quando a riqueza nacional é partilhada de forma justa e quando nenhum território é condenado ao abandono", sustentou, lamentando que a conhecida "terra da paz" quase não beneficia dos dividendos da paz, alcançada há quase 24 anos.

Defendeu que a paz verdadeira exige dignidade, desenvolvimento, infraestruturas, educação, saúde e oportunidades, tendo igualmente alertado que a provincia enfrenta também problemas ambientais que agravam a vulnerabilidade das populações.

O presidente da UNITA lamentou as "visíveis assimetrias" na região, onde, acrescentou, "existem poucos que têm tudo e muitos que não têm nada".

"Essa desigualdade é agravada por práticas de discriminação política que penalizam cidadãos apenas por pensarem diferente", realçou, assinalando que, enquanto Angola "não consolidar um verdadeiro regime democrático", o país "val continuar a assistir a essas injustiças".

Costa Júnior afirmou que a luta do seu partido (fundado por Jonas Savimbi em 13 de março de 1966) em Muangai, localidade que dista mais de 200 quilómetros do Luena, é pela alternäncia politica, pela reforma profunda do Estado e pela institucionalização das autarquias.

Direitos humanos, autarquias locais e desenvolvimento económico são alguns dos temas que animam os debates nas jornadas parlamentares da UNITA, que congrega deputados, politicos, ativistas, autoridades tradicionais, militantes e oradores nacionais e internacionais no Instituto Superior Politécnico Privado Walinga do Moxico.

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