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Quinta, 19 Fevereiro 2026 11:47

Luís de Castro acusa Executivo angolano de manter “dilapidação dos cofres do Estado”

O presidente do Partido Liberal, Luís de Castro, acusou o Executivo angolano de manter práticas que, no seu entender, perpetuam a “dilapidação constante dos recursos dos cofres do Estado”, durante uma entrevista concedida à Rádio Essencial.

Na conversa, Luís de Castro afirmou que uma “elite de 15 ou 20 notáveis” continua a transferir recursos públicos para o exterior, sustentando que o combate à corrupção anunciado em 2017 não produziu as mudanças estruturais esperadas. Recordou que, à época, o discurso reformista do Presidente João Lourenço gerou expectativas generalizadas, tanto no seio do partido governante como na oposição. “Hoje o que se vê é exatamente a mesma coisa”, declarou.

O líder liberal questionou ainda a alegada eliminação de monopólios, argumentando que, em vez de desmantelados, teriam sido substituídos por novos grupos económicos dominantes. Como exemplo, mencionou a empresária Leonor Carrinho e empresas associadas ao seu grupo, afirmando que até 2017 eram pouco conhecidas, mas que hoje têm presença em diversos setores, nomeadamente na banca — como no BFA, no KEVE e no BCI —, bem como nos ramos da segurança e da indústria alimentar. Citou ainda a existência de outros monopólios a serem construídos no país. “Se andar por Luanda, veja o número de obras que a Matapalo detém”, afirmou, alegando que o titular da província de Luanda é o proprietário da referida empresa.

No setor mineiro, Luís de Castro destacou a Sociedade Mineira do Luele, associando-a à Sociedade Mineira de Catoca e mencionando o cidadão libanês que andou, no caso, dívidas ocultas em Moçambique, o Jean Boustany. Para o presidente do Partido Liberal, estes casos ilustram a continuidade de práticas concentradoras e a manutenção de interesses instalados.

O dirigente criticou igualmente o recurso à contratação simplificada, que, no seu entender, “faculta a nova corrupção”, e questionou a ausência de detenções ou acusações formais envolvendo altos responsáveis do atual Executivo. “Diga-me só um ministro do tempo do Presidente João Lourenço que foi detido ou indiciado por corrupção”, desafiou.

Luís de Castro referiu ainda denúncias recorrentes de irregularidades nos ministérios da Saúde, Energia e Águas e Transportes, sem que, segundo afirmou, tenham resultado em responsabilizações visíveis. Considerou que o combate à corrupção terá sido seletivo, centrado em figuras do período do antigo Presidente José Eduardo dos Santos, classificando o processo como “uma luta de gangues”.

O presidente do Partido Liberal apontou também falhas na execução do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIM), referindo obras inacabadas ou abandonadas em várias regiões do país, sem consequências para administradores locais.

Como proposta, defendeu a celebração de um “pacto de nação” e a implementação de um “perdão económico”, que permitiria recuperar ativos alegadamente desviados, convertendo-os em investimento direto em infraestruturas sociais, sob fiscalização do Estado. “O país precisa de um intervalo lúcido”, afirmou, acrescentando que empresários têm sido uma das classes mais prejudicadas pelo atual contexto.

Na parte final da entrevista, Luís de Castro destacou situações nas províncias do leste, onde, segundo relatou, crianças atravessam fronteiras para estudar na República Democrática do Congo ou na Zâmbia. Criticou também a emigração crescente de jovens qualificados para Portugal, em busca de melhores oportunidades.

“Temos que pensar país, temos que pensar nação”, concluiu, defendendo que apenas com reformas estruturais e fim da “roubalheira” será possível garantir crescimento sustentável para Angola.

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Last modified on Quinta, 19 Fevereiro 2026 12:55

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