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Quinta, 07 Mai 2026 13:44

Banco Nacional de Angola admite recorrer às reservas para estabilizar mercado cambial

O Banco Nacional de Angola (BNA) admitiu hoje recorrer às reservas internacionais para estabilizar o mercado cambial, caso os choques externos se prolonguem, e recomendou uma redução de impostos aduaneiros sobre bens alimentares e fertilizantes.

Domingos Pedro, responsável do BNA, intervinha numa sessão de apresentação do novo relatório do FMI sobre as Perspetivas Económicas Regionais da África Subsariana, tendo admitido esta hipótese caso os choques externos, nomeadamente o conflito no Médio Oriente, se prolonguem.

O responsável lembrou que a inflação tem seguido uma trajetória de queda consistente, fixando-se nos 12,4% em março, fruto de uma gestão prudente dos agregados monetários, de maior oferta no mercado de bens e serviços de amplo consumo e também da relativa estabilidade cambial, sendo o objetivo de médio prazo "trazer a inflação para um dígito".

Por isso, afirmou que o BNA está focado na estabilidade cambial: "O Banco Nacional de Angola continua a vigiar de perto a dinâmica do mercado cambial e, se as condições o exigirem, nós poderemos eventualmente lançar mão das reservas para poder estabilizar o mercado e não permitir disrupções que depois se traduzam em pressões inflacionistas e venham a inviabilizar as nossas metas", realçou.

O BNA fixou a meta de inflação para o final de 2026 em 13,5%.

O responsável adiantou que o BNA está também a vigiar a liquidez do mercado, usando os instrumentos de política monetária as operações do mercado aberto e as reservas obrigatórias para que "os níveis de liquidez do mercado sejam aqueles que, de facto, a atividade económica demanda e não mais do que isso".

Domingos Pedro notou, no entanto, que para enfrentar "uma inflação importada" como a que se regista com o aumento do preço dos combustíveis, dos fertilizantes e dos alimentos, não bastam políticas monetárias.

"É nessa perspetiva que temos estado a afinar cada vez mais também a coordenação da política monetária com a política fiscal, interagindo de forma frequente e incisiva com o Tesouro", bem como com o próprio Executivo, que tem adotado medidas no sentido de apoiar a produção interna e a diversificação.

"Se calhar é altura de começarmos a pensar numa possível redução de impostos aduaneiros de bens alimentares de consumo", sugeriu, aconselhando o Executivo a olhar para os impostos aduaneiros sobre a importação de alimentos e fertilizantes e também para os impostos sobre o consumo, "até como uma forma de aliviar as famílias que neste momento vão ser bastante penalizadas com os efeitos desta guerra".

Para Domingos Pedro, é necessário que outros atores possam contribuir, "porque uma inflação de custos não se combate só com medidas de política monetária é preciso que haja medidas do lado da economia real para que, de facto, essas medidas possam resultar eficazes", salientou.

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