Num comunicado divulgado na quinta-feira à noite pela UA, Youssouf "encoraja as partes a implementar plena e fielmente os termos de referência acordados e a manter uma participação construtiva nos processos políticos e de segurança em curso".
Embora tenha reconhecido o compromisso demonstrado por ambas as partes, sublinhou a necessidade de se estabelecer um "mecanismo claro e mutuamente acordado" de cessar-fogo para garantir o seu cumprimento, gerar confiança e proteger a população civil.
Da mesma forma, falou sobre o importante papel das organizações regionais, como a Conferência Internacional dos Grandes Lagos (ICGLR), na implementação do Mecanismo Conjunto de Verificação Alargado Plus (E.JVM+), cujo objetivo é supervisionar a aplicação do cessar-fogo.
Os Presidentes da RDCongo, Félix Tshisekedi, e do Ruanda, Paul Kagame, assinaram, em dezembro de 2025, em Washington, sob mediação do Presidente dos Estados Unidos, um acordo visando acabar com o conflito, garantir a retirada das tropas ruandesas do território congolès e a cessação do apoio ás milicias armadas.
Contudo, após a assinatura do acordo, testemunhado por alguns chefes de Estado africanos, incluindo o angolano, João Lourenço, a RDCongo term-se queixado de que persistem os confrontos na região e as forças do M23 continuam a avançar em várias cidades.
Na quarta-feira, Angola propos a entrada em vigor de um cessar-fogo entre o Governo da RDCongo e o movimento rebelde M23 a partir das 12:00 do próximo dia 18 de fevereiro.
Kinshasa aceita proposta angolana de cessar-fogo com o M23
As autoridades da República Democrática do Congo (RDCongo) anunciaram hoje que aceitam o cessar-fogo com o grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23), a partir de 18 de fevereiro, medida proposta por Angola.
A presidência da RDCongo afirmou que "toma nota" da iniciativa do Presidente de Angola, João Lourenço, 'em favor de um regresso duradouro à paz e à estabilidade na região dos Grandes Lagos", ao mesmo tempo que confirmou que aceita a proposta "num espírito de responsabilidade, conciliação e procura de uma solução pacífica para o conflito".
Num comunicado publicado através das redes sociais, a presidència da RDCongo explica que "este cessar-fogo enquadra-se no mecanismo de monitorização e verificação do cessar-fogo assinado a 14 de outubro de 2025 em Doha, cujo objetivo é garantir uma cessação de hostilidades eficaz, controlada e duradoura através de um sistema estruturado de supervisão e acompanhamento de incidentes".
Angola tem assumido um papel ativo na mediação do conflito no leste da RDCongo, a par de outros parceiros internacionais, procurando promover uma solução política e o regresso à estabilidade na região, palco de confrontos recorrentes entre as forças governamentais e o grupo armado M23.
A atividade armada do M23-um grupo constituído principalmente por tutsis vitimas do genocídio ruandés de 1994, que, segundo o Governo congolës, tem o apoio do Ruanda, recomeçou em novembro de 2021 com ataques contra o exército governamental no Kivu do Norte, tendo avançado em várias frentes e ameaçado escalar para uma guerra regional.
Angola assumiu inicialmente um papel de liderança central na mediação do conflito no leste da RDCongo, sobretudo a partir de 2022, quando João Lourenço foi designado mediador da União Africana para o dossier RDCongo-Ruanda, tornando Luanda no principal palco das negociações regionais.
Com o agravamento da crise e a persistência do conflito, outros parceiros internacionais ganharam protagonismo, em particular os Estados Unidos e o Qatar, que acabaram por formalizar entendimentos específicos nomeadamente o Acordo de Washington e o Acordo-Quadro de Doha - para promover um cessar-fogo efetivo e criar condições para uma solução politica duradoura, assente no respeito pela Integridade territorial da RDCongo.

