A denúncia foi feita por Raúl Tati, primeiro-ministro do Governo Sombra da UNITA, durante uma conferência de imprensa dedicada aos principais desafios do ensino geral e superior em Angola, na preparação do ano lectivo 2026/2027.
Ao abordar a alegada partidarização das instituições de ensino, Raúl Tati defendeu que a escola deve manter-se como um espaço democrático e independente, vocacionado para a formação de cidadãos e para o desenvolvimento do país.
“Vamos assistir, mais uma vez, à mesma movimentação: escolas transformadas em campos de mobilização coerciva de alunos inocentes para os comícios do MPLA. A escola tem a vocação de formar cidadãos para o desenvolvimento do país. Esse espaço deve ser democrático e emancipado, e nunca partidarizado”, afirmou.
Segundo o dirigente da UNITA, existem núcleos do MPLA instalados em várias unidades escolares do país, com directores alegadamente ligados ao partido no poder.
“Sabemos que estão instalados em muitas unidades escolares do país núcleos do partido MPLA, com directores militantes, numa autêntica distorção do objecto social da escola”, declarou.
Para Raúl Tati, a aproximação do período eleitoral poderá agravar a situação, com a utilização das escolas como espaços de mobilização política.
Oposição acusa MPLA de partidarização do Estado
A denúncia sobre as escolas insere-se numa crítica mais ampla da UNITA à alegada partidarização das instituições públicas em Angola.
O MPLA, no poder desde a independência do país, é acusado pela oposição e por sectores da sociedade civil de manter uma forte presença nas estruturas do Estado e de utilizar trabalhadores da administração pública e de empresas públicas em actividades de mobilização partidária.
No caso específico das escolas, a UNITA considera particularmente grave o envolvimento de alunos e docentes em actividades de natureza política, por entender que crianças e jovens devem permanecer afastados de disputas partidárias e que os professores devem poder exercer as suas funções sem pressão política.
As acusações da UNITA foram apresentadas no âmbito do seu diagnóstico político sobre o sector da educação. O MPLA e o Executivo angolano não apresentaram, no momento da divulgação destas declarações, uma resposta às acusações específicas de instrumentalização das escolas para mobilização de alunos e docentes.
Para a oposição, a preparação do novo ano lectivo deveria estar concentrada na resolução dos problemas estruturais do sistema educativo — desde a falta de escolas e professores até às condições das salas de aula e da alimentação escolar — e não na utilização das instituições de ensino como plataformas de mobilização política.

