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Quarta, 08 Julho 2026 20:38

Maria Luísa Abrantes questiona valor atribuído à fortuna de "Dino"

A advogada e consultora Maria Luísa Abrantes questionou a estimativa segundo a qual o alegado enriquecimento sem causa do general Leopoldino Fragoso do Nascimento, conhecido por "Dino", ascenderá a cerca de 200 milhões de euros, defendendo que esse montante está longe de traduzir a real dimensão do património acumulado pelo antigo dirigente.

Numa publicação na sua página pessoal, Maria Luísa Abrantes sustenta que qualquer avaliação rigorosa da fortuna de "Dino" deverá abranger todas as participações empresariais, dividendos, mais-valias e operações financeiras em que o general esteve envolvido ao longo dos anos.

Na sua análise, a estimativa conhecida publicamente omite activos e rendimentos que, no seu entendimento, poderão elevar significativamente o valor global do património.

Segundo a leitura de Maria Luísa Abrantes, qualquer avaliação rigorosa do património acumulado pelo antigo homem forte do regime de Luanda tem de passar por uma análise detalhada dos interesses empresariais que este manteve ao longo dos anos. Na sua perspetiva, as contas devem incluir os rendimentos e mais-valias obtidos através de diversas participações societárias de relevo:

─ Trafigura: Os dividendos acumulados e a valorização da participação de 10% nesta multinacional, bem como os proveitos resultantes da alienação dessa mesma posição financeira.

─ Pumangol: Os montantes gerados pela venda de uma participação de 3% da petrolífera ao Estado angolano.

─ Banco Angolano de Investimentos (BAI): O encaixe financeiro obtido com a alienação de ações e os respetivos dividendos distribuídos pela instituição bancária.

Projeto Baía de Luanda: Os valores associados à reversão deste empreendimento imobiliário e urbanístico para a esfera do Estado.

Na sua perspectiva, limitar o alegado enriquecimento do antigo homem-forte do círculo presidencial à cifra de 200 milhões de euros não reflecte a dimensão dos activos e rendimentos acumulados ao longo da sua trajectória empresarial. Por essa razão, defende uma análise exaustiva de todas as operações financeiras e participações societárias associadas ao general.

As declarações de Maria Luísa Abrantes surgem numa altura em que Leopoldino Fragoso do Nascimento continua a enfrentar processos judiciais relacionados com a gestão de recursos públicos e alegados crimes económicos.

Recentemente, a Justiça portuguesa confirmou o congelamento de cerca de 72 milhões de euros pertencentes ao general, na sequência de um pedido de cooperação judiciária internacional formulado pelas autoridades angolanas.

A medida insere-se no âmbito de um processo-crime que corre termos em Angola e no qual Leopoldino Fragoso do Nascimento foi condenado, em primeira instância, a uma pena de cinco anos de prisão. A decisão, contudo, ainda está sujeita aos mecanismos legais de recurso previstos na legislação.

As declarações da advogada surgem, assim, num contexto de crescente debate público em torno da dimensão do património atribuído ao antigo dirigente e das investigações que envolvem algumas das figuras mais influentes da anterior liderança política angolana.

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Last modified on Quarta, 08 Julho 2026 20:42

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