Terça, 20 de Abril de 2021
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Terça, 02 Março 2021 14:32

Angola recebeu hoje as primeiras doses da vacina da covid-19 do consórcio Covax Facility

Angola, Camboja, República Democrática do Congo e Nigéria recebem hoje vacinas anti-Covid distribuídas pela plataforma Covax, iniciativa que visa garantir uma vacinação equitativa contra o novo coronavírus, anunciou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os restantes três países serão o Cambodja, a República Democrática do Congo e a Nigéria, adiantou Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa conferência de imprensa online sobre o progresso da Covax na distribuição das vacinas.

A plataforma iniciou na segunda-feira a entrega de vacinas no continente africano, com o Gana e a Costa do Marfim a serem os primeiros países a vacinar profissionais de saúde com doses distribuídas pela plataforma.

Presente na conferência de imprensa, o Presidente do Gana, Nana Akudo-Addo, elogiou o programa, afirmando que permite que as vacinas contra o coronavírus SARS-CoV-2 cheguem aos países mais pobres, mas apelou à plataforma para que apoie a produção dos medicamentos no próprio continente “para tornar as vacinas mais acessíveis”.

Um objetivo também defendido pelo diretor-geral da OMS, que considerou, no entanto, tratar-se “de um desafio a enfrentar”.

A plataforma Covax pretende entregar 90 milhões de doses de vacinas no continente africano até final deste mês, adiantaram o responsável da OMS e a diretora executiva da Unicef, Henrietta Fore.

A entrega de vacinas pela Covax também se estreou na América Latina, tendo entregado na terça-feira à Colômbia as primeiras doses, adiantou Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O diretor-geral da OMS anunciou na segunda-feira que, até ao fim de maio, serão entregues 237 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 a 142 países.

“Mais 11 milhões de doses serão entregues esta semana”, garantiu o responsável numa conferência de imprensa ‘online’ a partir de Genebra.

Angola é o primeiro lusófono a receber vacinas da Covax

Angola tornou-se hoje o primeiro país lusófono e o terceiro da África austral a receber vacinas contra a covid-19 através da iniciativa Covax, num lote de 624 mil doses, que começarão a ser administradas esta tarde.

As vacinas produzidas na Índia, pela farmacêutica AstraZeneca, foram recebidas hoje no aeroporto internacional de Luanda por um conjunto de membros do executivo angolano, bem como representantes de várias entidades como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Organização das Nações Unidas (ONU), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da delegação da União Europeia e da Organização Mundial de Saúde (OMS), estando também presente a embaixadora da Índia em Angola.

Em declarações à imprensa, a ministra da Saúde de Angola, Sílvia Lutucuta, disse que as primeiras vacinas, rececionadas no âmbito da iniciativa Covax, começam hoje a ser administradas.

Sílvia Lutucuta destacou a importância de o país ter recebido hoje 624 mil doses de vacina da AstraZeneca, por parte da iniciativa Covax, à qual Angola aderiu em julho do ano passado, prevendo o Plano de Cobertura Vacinal a imunização de 20% da população, potencialmente pessoas do grupo de risco.

"Nós nesta fase só temos que nos regozijar por Angola ter sido o terceiro país africano a ser escolhido para a entrega de vacinas. Recebeu o Gana, recebeu também a Costa do Marfim, nós somos os terceiros e o primeiro país lusófono a receber vacinas da iniciativa Covax", referiu a ministra.

A titular da pasta da Saúde em Angola frisou que a iniciativa Covax prevê uma cobertura de 6,4 milhões de habitantes para pessoas em idade avançada, com comorbidades e expostas à doença, lembrando que a pressão internacional é muito grande na procura de vacinas.

Contudo, adiantou a ministra, há uma previsão de, pelo menos, até julho fazerem esta cobertura.

"Vamos continuar a trabalhar, também como Estado angolano, temos que ter iniciativas próprias para a aquisição de vacinas e por essa altura só temos é que estar felizes. Vamos começar esta campanha de vacinação ainda hoje, a primeira para dar o pontapé de saída e vamos trabalhar com alto rendimento a partir de sábado cá em Luanda", garantiu.

As províncias de Luanda, Benguela e Cabinda são as escolhidas para o arranque da campanha, por serem as regiões com maior número de casos, bem como maior número de casos ativos por esta altura, sendo a intenção abranger todo o país.

A ministra disse que os primeiros a ser vacinados serão os profissionais de saúde, os professores, doentes com comorbidades, os idosos.

"Em relação aos professores vamos começar pelas classes mais baixas, o pré-escolar", indicou a ministra.

Sílvia Lutucuta referiu que o Plano prevê a vacinação de 53% da população, com idade igual ou superior a 16 anos, tendo em conta que a população é bastante jovem e apenas 53% é que se enquadra nesta faixa etária que já está estudada e que pode ser vacinada.

"Vamos ter que continuar a lutar como todo o mundo está a lutar, é importante aqui realçar que o resultado desta doação não foi só o esforço do Ministério da saúde, da Comissão Multissetorial [para o combate à covid-19], mas houve aqui um esforço diplomático muito grande, temos que realçar o papel o esforço do nosso Ministério das Relações Exteriores, que foi fundamental. Com a covid-19 a diplomacia não é só diplomacia económica, mas também é preciso muita diplomacia em saúde para conseguirmos atingir os nossos objetivos", sublinhou.

Vacinas doadas a Angola são forte sinal de solidariedade - OMS

A representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Angola disse que a chegada hoje das primeiras vacinas de que o país beneficiou representa um forte sinal de solidariedade internacional para ajudar a salvar vidas.

Numa nota distribuída hoje à comunicação social, a OMS refere que as vacinas vão permitir igualmente recuperar a economia e os meios de subsistência das pessoas.

"Este primeiro passo para a vacinação oferece-nos uma luz no fundo do túnel para a proteção das populações. Precisamos também de continuar a trabalhar em conjunto para reforçar as medidas preventivas de saúde pública contra a covid-19, melhorando ao mesmo tempo o acesso aos serviços de saúde e tratamentos de qualidade", referiu Djamila Cabral citada no documento.

Angola recebeu hoje 624 mil doses da vacina AstraZeneca - Oxford do Instituto Sérum da Índia, no âmbito da iniciativa Covax, que visa assegurar a distribuição equitativa das vacinas contra a covid-19, em todo mundo.

A ministra da Saúde de Angola, Sílvia Lutucuta, anunciou no ato de receção do lote que as primeiras vacinas começam a ser administradas hoje.

A nota da OMS sublinha que com este primeiro lote de vacinas, estimado em cerca de 10% das necessidades da primeira fase da vacinação em Angola, o Governo vai imunizar os profissionais de saúde, as pessoas vulneráveis e as que têm comorbidades complicadas.

Segundo o responsável da Aliança Global para as Vacinas (GAVI), Seth Berkley, durante as próximas semanas, a Covax tem de entregar vacinas a todas as economias participantes para assegurar que os mais em risco estejam protegidos, onde quer que vivam.

"Precisamos agora que os Governos e as empresas confirmem o seu apoio à Covax e nos ajudem a derrotar este vírus o mais rapidamente possível", disse Seth Berkley.

A entrega de vacinas a Angola faz parte de uma primeira ronda de atribuição da Covax que continuará nos próximos dias e semanas, a nível mundial e em toda a região africana, prevendo-se que sejam entregues ao país 2,5 milhões de doses de vacinas AstraZeneca/Oxford até meados deste ano.

"A iniciativa Covax está a desempenhar um papel crucial nos esforços globais para garantir um acesso justo, acessível e equitativo às vacinas contra a covid-19 aos países mais pobres do mundo, às comunidades mais marginalizadas e às populações mais vulneráveis", realça-se no documento.

Como parte dos esforços de Angola para prevenção e combate da pandemia, o Ministério da Saúde, com o apoio dos parceiros da Covax, desenvolveu um Plano Nacional de Imunização para assegurar o acesso seguro e equitativo às vacinas da covid-19, incluindo várias ações que visam reforçar a infraestrutura e o armazenamento da cadeia de frio, formar vacinadores, gerar procura, bem como gerir a desinformação sobre a vacinação.

A chegada de vacinas contra a covid-19 em Angola assinala mais um marco nas principais metas da iniciativa Covax, no quadro do seu esforço sem precedentes de fornecer pelo menos dois mil milhões de doses de vacinas até final do ano em curso.

Angola registou até segunda-feira um total de 20.807 casos positivos de covid-19, dos quais 508 óbitos, tendo recuperado 19.322 pessoas.

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