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Kwanza volta a desvalorizar por mais 2% para o euro

Kwanza volta a desvalorizar por mais 2% para o euro

O kwanza angolano voltou hoje a sofrer uma depreciação, desta vez de quase 2%, face ao euro, já com o efeito das novas limitações introduzidas esta semana pelo Banco Nacional de Angola (BNA) para travar a especulação cambial.

Desde que a moeda europeia passou a ser a referência para o mercado de câmbios de Angola no novo regime flutuante cambial, a 09 de janeiro, a moeda angolana já acumula uma depreciação de quase 26,5% para o euro, que agora vale 253,7 kwanzas na compra (pelos clientes), e praticamente 20% para o dólar, que passa a valer 207,0 kwanzas, segundo cálculos feitos pela Lusa com base nas novas taxas cambiais divulgadas hoje pelo BNA.

Estas taxas de câmbio resultam do terceiro leilão de divisas feito pelo BNA em 2018, realizado hoje em Luanda e no qual participaram 26 bancos, os quais compraram a totalidade do montante colocado à disposição, de 81,8 milhões de euros, anunciou ainda o banco central.

Contribuíram para o apuramento da taxa de câmbio de referência 17 dos bancos participantes, tendo a taxa mais alta apresentada sido de 253,747 kwanzas por cada euro e a mais baixa de 253,126 kwanzas.

Contudo, nos dois leilões concluídos anteriores, o valor da depreciação, em cada, foi superior a 10%, para o euro (e por consequência para o dólar norte-americano).

No leilão de divisas de hoje já foram aplicadas as novas regras, anunciadas na sexta-feira pelo governador do BNA, alterando os limites das propostas que podiam ser apresentadas pelos bancos, que depois são utilizadas para formar a taxa de câmbio do kwanza face ao euro.

Na quinta-feira, um leilão ao abrigo deste modelo - em que os bancos apresentam propostas de compra de divisas em kwanzas - foi suspenso pelo BNA, por as propostas terem ultrapassado o limite máximo (da cotação) definido pelo banco central para estas vendas, acima dos 300 kwanzas por cada euro.

Na reação, o BNA convocou os bancos comerciais para uma reunião, na sexta-feira, no Museu da Moeda, e revelou os novos contornos do modelo de leilão de divisas (euros), em que as propostas da "margem máxima" sobre a taxa de referência - ou seja o valor que os bancos podem colocar como apreciação ou depreciação da taxa de câmbio -, "não pode ser superior nem inferior a 2%".

"Significa que em qualquer um dos leilões, a variação máxima que poderá acontecer será de 2%, não mais, não menos", avançou o governador do BNA, no final da reunião.

No leilão realizado hoje, as divisas vendidas destinaram-se à aquisição de matéria-prima, peças, acessórios e equipamento fabril (60% do total de 81,8 milhões de euros), agricultura, agropecuária, pescas e mar (19%), seguros, telecomunicações, transportes e outros serviços (15%), artigos de higiene, limpeza, material escolar e de escritório (3%) e vestuário, calçado, artigos e utensílios domésticos (3%).

Além das limitações impostas à apresentação de propostas nos leilões, para evitar fortes depreciações súbitas, e numa aparente medida para travar a especulação com o novo modelo de aquisição de divisas, o banco central vai igualmente mexer a partir desta quarta-feira na componente de venda de divisas aos clientes dos bancos comerciais, em notas, que deixa de ser de câmbio livre.

"Nós tínhamos até aqui uma margem máxima de 3% para as operações comerciais e tínhamos, para as notas, um câmbio livre. Nós estamos a unificar os mercados, de divisas, de notas, e doravante (...) a margem máxima de comercialização é de 2% sobre a taxa de câmbio de referência que é publicada pelo BNA", esclareceu anteriormente o governador do banco central.

No modelo cambial anterior, até 09 de janeiro, a cotação era fixada diretamente pelo BNA, com o kwanza indexado ao dólar norte-americano.

O novo regime flutuante cambial começou a ser aplicado numa altura em que as Reservas Internacionais Líquidas do país estão em mínimos históricos, inferiores a 12.000 milhões de euros, devido à crise da cotação do petróleo.

Face à falta de divisas aos balcões dos bancos comerciais, o mercado de rua, que para muitos constitui a única alternativa para aceder a moeda estrangeira, desde as eleições gerais de agosto que antecipa a desvalorização da moeda angolana, transacionando atualmente cada dólar acima dos 450 kwanzas e cada euro a 530 kwanzas, mais do dobro da taxa oficial.

Last modified onTerça, 23 Janeiro 2018 21:38
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