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Mercado cor-de-rosa em alta

Mercado cor-de-rosa em alta

A cantora angolana Pérola é imbatível em termos de vendas quando surge na capa de uma revista. Seja o casamento, a gravidez, um concerto ou a presença num evento badalado, a edição esgota. O kudurista Puto Português com a noiva e a morte do cantor Michael Jackson também foram campeões de vendas, diz Patrícia Pato, editora da Caras Angola, pioneira no segmento das revistas cor-de-rosa no país.

A publicação – que surgiu há dez anos e apareceu ligada a Tchizé dos Santos, filha do Presidente José Eduardo dos Santos – mostra festas, casas e vida dos famosos, entre empresários, actores e, sobretudo, cantores e modelos. “Quando começou, a maioria dos conteúdos vinham de Portugal, da Caras portuguesa. Hoje, somos completamente independentes e destacamos acima de tudo o conteúdo nacional”, diz ao SOL a editora. A distribuição é feita em Luanda e Benguela num total de 10 mil exemplares. As sobras cifram-se nos 200 a 300 exemplares, garante.

Mais concorrência

Na última sexta-feira o sector conheceu um novo protagonista, com o lançamento da Lux, com origem em Portugal. Um cocktail com vista para a Baía e a Ilha de Luanda celebrou a chegada da Lux Angola, que na capa do n.º 1 apresentou Lesliana Pereira, ex-Miss Angola e actriz.

“Ainda é prematuro dar um feedback geral, mas a receptividade está a ser bastante positiva”, disse ao SOL Magda Almeida, directora geral da Lux Angola. Dirigida sobretudo ao público feminino, a Lux chegou a Angola através da Masemba, o braço editorial da produtora de televisão Semba Comunicação, dirigida pelo cantor e empresário Coréon Dú, também filho do Presidente angolano. Em Maio de 2013, a Semba Comunicação, em parceria com a produtora portuguesa Até ao Fim do Mundo, criou a Masemba e adquiriu à Progresa, empresa do Grupo Prisa (ligada ao Grupo Media Capital), os títulos Lux, Lux Woman e Revista de Vinhos.

“Estão a ser distribuídos semanalmente 11.000 exemplares, em Luanda, Benguela, Lobito e Huambo”, diz a directora. Numa primeira fase, a Lux vai estar disponível em Portugal, em alguns pontos de venda em Lisboa: “É uma forma de tornar os leitores angolanos lá mais próximos do dia-a-dia dos famosos e da sociedade angolana, e de dar a conhecer aos portugueses o que está por trás dos rostos dos famosos em Angola”.

A chegada de concorrência não preocupa, para já, a Caras. “O mercado está a crescer e comporta mais uma publicação. Estes ‘abanões’ são sempre bons e nunca devemos desprezar a concorrência”, garante Patrícia Pato. O mesmo já tinha acontecido em 2012, quando chegou ao mercado a People, detida pelo Grupo Zwela, que tem também a revista feminina Chocolate e a de música Carga.

Caso de sucesso, segundo a Marktest Angola, a Caras é a preferida dos anunciantes. A abrangência do público-alvo ajuda a explicar: “A elite angolana compra a revista, mas os moradores dos musseques também, em especial mulheres a partir dos 25 anos”. A primeira-dama, Ana Paula dos Santos, foi este mês capa das duas revistas femininas nacionais, a Chocolate, com sete anos, e a SuperFashion, lançada no fim de 2012.

Francisca Videira, directora de media da agência de comunicação Back, defende que novos títulos vão trazer benefícios para o mercado publicitário. “Há espaço para a Lux e para algumas mais. As melhores sobreviverão e o mercado evoluirá e crescerá”, adianta. “O facto de haver mais escolha permite dirigir melhor a comunicação”, assegura a responsável.

Segundo a Marktest Angola, o investimento total em imprensa, em 2012, atingiu o novo recorde de 62 milhões de dólares, mais 21,5% do que no ano anterior, o que reflecte um bom momento. No entanto, no último relatório disponibilizado pela empresa, em Janeiro de 2014, o investimento publicitário diminuiu face ao mesmo período no ano passado, o que “será um indicador interessante de acompanhar ao longo deste ano”, diz ao SOL o director de comunicação de uma empresa angolana.

Distribuição problemática

Preferindo não ser identificado, o responsável explica que a distribuição e os canais de venda são o calcanhar de Aquiles das publicações em Angola. “Há produtos interessantes e com qualidade, dirigidos a faixas importantes dos nossos clientes. Mas se não vemos as publicações a girar nas ruas, como posso justificar à minha administração os orçamentos para investimento publicitário?”, questiona.

Francisca Videira concorda com esta leitura. “O aparecimento de novos títulos não está a ser acompanhado por uma evolução positiva da forma de venda de jornais e revistas”, diz.

Os vendedores de rua continuam a ser o meio mais habitual, mas não conseguem calcorrear as ruas e estradas a transportar grandes quantidades de jornais e revistas. Assim, a distribuição continua a impedir o crescimento do sector. A ausência de quiosques e o número ainda restrito de outros pontos de venda, circunscritos a alguns supermercados e tabacarias, “limitam muito as oportunidades de venda e são um elemento de estrangulamento na evolução do próprio sector”, ressalva Francisca Videira.

Sol

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