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| Quem não pertence ao MPLA é cidadão de segunda classe – Afirma Isaías Samakuva |
| Notícias - Política |
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Isaías Samakuva, líder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), estende a crítica ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos, a quem acusa de "primeiro responder às necessidades dos seus camaradas de partido e só depois é que considera aqueles que não são do seu partido". Nascido em Kunji, na província do Bié, centro de Angola, Samakuva, de 66 anos, sucedeu a Jonas Savimbi à frente da UNITA na sequência da assinatura do Memorando de Paz de 2002, que pôs fim à guerra civil, e parte para as eleições gerais de 31 de agosto convicto de que o eleitorado está mais "maduro politicamente" e "consciente das suas responsabilidades cívicas". "Criou-se uma cultura no país em que o cidadão que tenha cartão do partido que governa, só por ter este estatuto, pensa que é superior a qualquer outro cidadão", lamentou. Caso vença as eleições, a sua primeira medida será a de entregar o cartão do partido para ser o Presidente de todos os angolanos. Em 2008, a UNITA perdeu estrondosamente as eleições, passando de uma bancada de 70 deputados para 16, e as acusações de fraude foram de imediato suscitadas, mas o Tribunal Constitucional indeferiu o pedido de impugnação do escrutínio. Quatro anos depois, surgiram novas críticas. "Em 2008, a legislação estava mais ou menos a ser cumprida. Isto não acontece em 2012. A vontade deliberada em violar a lei é algo que tem marcado este processo, ao contrário de 2008", defendeu. Isaías Samakuva centra as críticas em José Eduardo dos Santos, a quem acusa de fugir ao debate para que o desafiou, logo no arranque da campanha eleitoral. "Uma das perguntas que vai ficar sem resposta é como é que um cidadão que se apresentou como socialista e marxista, de um momento para o outro, virou-se para o capitalismo selvagem. Nem é liberal sequer. Tanto mais que a forma como tem gerido o país, do ponto de vista económico, para mim é confusa", salientou. Se por um lado, Angola é "formalmente" um país que aceitou o princípio do mercado livre, por outro lado, observou, "a economia angolana ainda continua centralizada". "E mesmo essas empresas que se dizem do setor privado, estão nas mãos daqueles que controlam o poder em Angola. Há um clientelismo formalizado no país e, se formos a ver, também essas empresas, os seus donos, são exatamente os governantes", apontou. "E governantes de um certo círculo, são sempre os mesmos: são os mesmos que estão na banca, nas telecomunicações, nos transportes. Até nas padarias. Já têm padarias e cabeleireiros. São os donos das clínicas. São sempre os mesmos", denunciou. O facto de o Estado ser o principal empregador ajuda ao que Samakuva designa como "clientelismo", em que os "favores são pagos com lealdade política". "Ou se venera o chefe, ou então perdem-se as regalias", sintetizou. Se vencer as eleições, a UNITA prosseguirá a "reconstrução física" de infraestruturas em curso e iniciará o que designa por "reconstrução moral". "Queremos normalizar o nosso país e tal requererá, ou exigirá, a normalização desses atos. Naturalmente não se esperará que as coisas se processem como se processam hoje", frisou. Essa "reconstrução moral" passa pela exigência de que as fortunas fora do país, pertencentes a pessoas do círculo de poder de José Eduardo dos Santos sejam repatriadas. "Queremos que venham beneficiar o país, em vez de estarem escondidas lá fora. Quem está nos seus negócios, vai continuar, mas esses negócios têm que ser transparentes e conformes à lei", afiançou. Para quem não cumprir, restam "as instituições competentes", concluiu. |
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Comentários
Que cidadão honesto e informado, há 23 meses atrás, antes da Primavera Árabe, diria que a uma semana da data das eleições, estas passariam para segundo plano em relação a outros eventos/manifestações que deveriam ter sido organizados pela oposição durante o longo período de (má) governação de JES-MPLA?
Esta extemporaneidad e dos eventos que antecedem as eleições, são a mais cabal prova de que, a exemplo do governo, a oposição também andou estes anos todos a prestar um mau serviço ao povo angolano, defraudando quem neles votou?
E será ideal essa solução apressada de resolver nas ruas aquilo para o qual nunca tiveram arte politica e diplomática que lhes permitisse resolver ?
Quem de boa-fé não sabe que o MPLA ganharia estas eleições com ou sem batota, com ou sem INDRA, com os sem brasileiros do marketing?
Quem no seu perfeito juízo não percebe que o MPLA com a sua poderosa máquina de propaganda,de informação e de desinformação, ganhará sempre eleições?
A história repetir-se-á se uma oposição séria não fizer um bom trabalho, e enquanto os fiscalizadores das roubalheiras e favorecimentos, não difundirem as denúncias através de mensagens claras, sem boatos por comprovar, numa linguagem transparente, simples e passada "in loco" (no interior estigmatizado de Angola), duma forma que o povo analfabeto ou quase analfabeto perceba, sem necessidade de tradução?
Quem define eleições são as massas, não as elites burguesas, nem tão pouco as elites académicas de jovens fervorosos por mostrar o sangue na guelra e ansiosos por participar numa escaramuça de rua.
A insistente e quase paranóica negação da realidade angolana por parte de muitos de nós, leva a que se procure uma fuga para frente, e inspira "arquitectos" a projectarem uma Angola edificada a partir da tomada do poder pela via das revoluções/golpes de estado, dissimulados de manifestações.
INFELIZMENTE ANGOLA NÃO É O QUE OS CÍVIS ANGOLANOS CONSCIENCIOSOS QUEREM, MAS SIM O QUE QUEREM OS POLÍTICOS E MILITARES, DEMAGOGOS CORRUPTOS E GANACIOSOS-
“QUEM MANDA, PODE”.
Eu estou ciente de que se os angolanos fossem maioritariament e portadores de formação académica média ou superior, se estivessem todos desafectos dos actuais interesses económicos, se não tivessem o "rabo preso" em alguma ilegalidade ou acto de corrupção activa/passiva, se não guardassem rancores do tempo da guerra, e se fossem pensadores pela própria cabeça e independentes das afinidades políticas familiares, a CASA CE seria neste momento uma das 2 ou 3 forças políticas mais populares (as outras emergiriam fruto da desagregação dos 2 partidos/movimentos suspeitos do costume).
CONTUDO, RECUSO-ME POSTAR A MINHA POSIÇÃO NA NEGAÇÃO DA REALIDADE, E CREIO QUE ESTAS ELEIÇÕES PODERÃO NÃO REALIZAR-SE, EM VIRTUDE DA ALGAZARRA QUE VAI SER GERADA NOS PRÓXIMOS DIAS.
NO ENTANTO, E CASO SE REALIZE O SUFRÁGIO, O MPLA GANHARÁ COM CONFORTO RELATIVO, A UNITA E A CASA CE DISPUTARÃO O 2º LUGAR, COM TENDÊNCIA CLARA PARA SEREM OS MANINHOS A RETOMAR O PAPEL DE MAIOR PARTIDO DA OPOSIÇÃO, COM MUITA PENA MINHA, POIS QUERIA QUE A CASA CE CONQUISTASSE JÁ O DIREITO DE FICAR NA POSIÇÃO DE "MORDER OS CALCANHARES" DO GOVERNO CORRUPTO.
Em suma, e na minha opinião que vale o que vale, provavelmente haverá tumultos que adiarão "sine die" as eleições, mas se não houver balbúrdia, haverá JES no poder, UNITA na oposição e/ou MAIS DO MESMO