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| Debate na VOA-Oposição questiona natureza democrática das eleições |
| Notícias - Política |
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A iniciativa, a primeira a juntar desde o início da campanha eleitoral (31 de julho) líderes de partidos concorrentes num mesmo ato, durou uma hora. Participaram os presidentes da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Isaías Samakuva, do Partido de Renovação Social (PRS), Eduardo Kuangana, da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), Lucas Ngonda, e da coligação Convergência Ampla de Salvação de Angola (CASA-CE), Abel Chivukuvuku. Na questão sobre a natureza do processo eleitoral em curso, Abel Chivukuvuku disse que a CASA-CE "tem denunciado a manipulação do eleitorado, usando os meios do Estado para proveito do partido no poder". "Neste momento já não é um processo justo", vincou. Por sua vez, Isaías Samakuva afirmou que a CNE "não está a cumprir a lei", acrescentando que "para além do processo atual há outros problemas com o registo eleitoral, a auditoria que não foi feita, mais de um milhão de eleitores sem cartões eleitorais. Há uma confusão enorme". Eduardo Kuangana apontou igualmente os problemas com o registo eleitoral, acusando a CNE de estar a fazer um registo "às escondidas". "A atualização terminou a 15 de Abril. Há um registo às escondidas e nós não fizemos parte desse processo", disse. Já Lucas Ngonda considerou que a democracia angolana "tem muito a percorrer" para merecer esse título, salientando a falta de debate político entre os candidatos, quer nos órgãos públicos, quer nos privados. "Dificilmente podemos informar os eleitores sobre o que é que cada partido pensa. A democracia é a escolha de projetos e os projetos têm que ser dados a conhecer", defendeu. Noutra questão, sobre a natureza das relações com a China, Eduardo Kwangana destacou que na base deste relacionamento está o crédito chinês. "Há a questão do crédito, porque atrás do crédito vem os trabalhadores chineses que tiram trabalho aos angolanos", salientou, enquanto Lucas Ngonda reconheceu terem-se verificado "dificuldades" com países europeus em relação à dívida angolana. "Angola encontrou um país que não fez muitas exigências. Houve um lado positivo nesta relação com a China, mas tal como toda a ajuda da comunidade internacional, nós dissemos sempre que a ajuda deve ter como objetivo o homem. Angola não pode ser apenas um mercado porque o angolano fica sempre atrás. As relações entre nós e os outros países devem ter uma dose de responsabilidade", afirmou Para Abel Chivukuvuku, Angola "não tem defendido os seus interesses nas relações com a China". "Quando formos governo vamos respeitar as relações de Estado, mas vamos melhorar essas relações. Não queremos concorrência desleal com trabalhadores. Queremos mão-de-obra especializada não carpinteiros ou pedreiros chineses. Não queremos uma relação em que a China ganha e Angola perde", acrescentou. Por seu lado, Isaías Samakuva respondeu que as relações com a China surgiram num período de dificuldade, não de transparência". "As relações com a China são bastante desequilibradas. Angolanos estão desempregados, enquanto postos de trabalho são entregues à China. Quem negoceia com estrangeiros tem que privilegiar antes de mais nada os angolanos", defendeu. Relativamente à situação na província de Cabinda, Lucas Ngonda pediu "tolerância e abertura" na resolução dos problemas no enclave, e Abel Chivukuvuku recusou igualmente "o uso da violência", defendendo que "todos os diferendos devem ser resolvidos pela via do diálogo". Isaias Samakuva reconheceu o que classificou como a "especificidade" de Cabinda, e disse apostar no diálogo para resolver os problemas. O líder do PRS disse que a resolução da questão cabinda passa por "debates nacionais e estrangeiros para se encontrar uma solução pacifica". "Quem fala do problema de Cabinda fala também do problema da (província da) Lunda, que disse ter sido anexada ao resto território angolano. Temos uma proposta de federalismo para resolver estas questões", assegurou. Segundo a Voz da América, a ausência do MPLA da iniciativa foi justificada pelo porta-voz desta formação, Rui Falcão, sob a alegação de que o partido no poder "não tem que ajudar a dar visibilidade aos outros" e que não era possível fazer um debate "com quem não tem ideias". |
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