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| Começou julgamento dos jovens detidos na manif contra dos Santos |
| Notícias - Cultura |
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A sala apenas tem 36 lugares e, para além dos arguidos, há entre 12 a 14 polícias que farão a acusação. Alguns arguidos têm sinais claros de espancamentos com braços e cabeças partidas revelando agressões na hora da detenção e tortura na prisão. José Mário da Silva, mordido por cão Polícia, não teve acesso a tratamento, nem vacinado. Asseguram a defesa os advogados Luis do Nascimento, David Mendes e William Tonet. António Ventura, da Associação Justiça Paz e Democracia, está presente na qualidade de observador da União Africana. Centenas de familiares, que foram impedidos de falar com os arguidos manifestam-se diante das instalações com palavras de ordem de liberdade para os detidos, sob forte ameaça policial, inclusive com cães de guarda. Os jornalistas presentes encontram-se com dificuldades de espaço, não podem usar câmara fotográfica, nem de filmar. A sala não oferece condições para um julgamento condigno e o juiz aguarda por pequenos ajustamentos para dar início a sessão. Entretanto, várias organizações da sociedade civil acabam de emitir um comunicado sobre o assunto, após reunião de concertação iniciada as 9h de hoje. |
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Comentários
Forçaaaaaaaa, quem abusa apanhaaaaaaaaaa aa........
Estou convosco meus irmãos angolanos!
Notícias - angola24horas
zedu-nguitukaFa lar de alguém é sempre desagradável; consiste em entrar na sua intimidade, que deve ser respeitada e preservada, porque se sabe que o respeito pela vida privada é um direito adquirido pelos membros de qualquer sociedade, seja onde for e seja com quem for.
A fronteira entre a vida pública e privada não é flutuante; muito pelo contrário, ela o é em função das circunstâncias e da visibilidade que, a um dado momento, essa pessoa adquire. Manter uma certa impermeabilidad e entre o público e o privado é uma pura ilusão, derivada de uma visão autista de si próprio.
O homem, como ser social, é também produto do conformismo e da influência social. Se alargarmos, exageradamente, essa visão, poderemos cair numa infracção, desrespeitando a pessoa em análise. Daí o lado mais complicado da questão, uma vez que a infracção é inversamente proporcional à visibilidade e ao carácter mediático da pessoa.
Assim, se é grave o desrespeito pela privacidade de um sujeito praticamente desconhecido, e nada mediático, menor é a infracção quando se trata de uma figura pública, e, sobretudo quando o modelo que a mesma encarna, e fomenta, é susceptível de influenciar gerações inteiras.
Para ser mais franco, desrespeitar o princípio do silêncio assume-se, numa situação dessas, com uma necessidade. De facto, não se pode proclamar a sete ventos a honra pela probidade, pela ética, pelos princípios e valores socialmente aceitáveis e recomendáveis quando nos aninhamos no egoísmo, volúpia, e no vício. Tudo isso a propósito da relação de José Eduardo dos Santos com as mulheres e numa altura em que ele próprio se assume, e se apresenta, como defensor dos valores da família.
As relações de José Eduardo dos Santos com as mulheres estiveram – e ainda continuam - mergulhadas no silêncio, mas, aos poucos, o retrato de um chefe de estado íntegro, emoldurando nas consciências dos angolanos, tal qual um quadro a preto e branco, vai-se desmoronando tal um castelo de cartas.
O aparecimento de Ngutuila Josefa Matias foi a última gota de água que levantou, e ainda levanta, uma série de interrogações sobre as relações entre JES e as mulheres. Ngutuila é filha de Elisabeth Kaenje, mulher que teria dito à filha (Ngutuila) que fora gerada, há 46 anos, por um homem, angolano, que depois partiu para a URSS, e se chama José Eduardo dos Santos.
A novela que se seguiu, entroncada em duas posições irreconciliáveis, Ngutuila apelando, em vão, pelo DNA e José Eduardo dos Santos a socorrer-se no seu apelido familiar, mostrou o lado mais patético deste tipo de situações. Este caso é apenas a ponte do iceberg (outros casos se seguirão) duma vida um tanto ou quanto permissível no que diz respeito a esta matéria. Oficialmente, JES, se terá casado com Tatiana Kukanova, uma russa que conheceu em Baku - a actual capital do Azerbaijão, uma das antigas Repúblicas da União Soviética - na altura bolseiro do curso de Engenharia de Hidrocarbonetos. Desconhece-se os meandros porque passou esta relação de onde nasceu a empresária Isabel dos Santos.
A entrada em cena de Maria Luísa Perdigão Abrantes (Milucha) mostrara que Tatiana fora lançada às urtigas. Mais tarde, José Eduardo dos Santos terá lançado o olho à aeromoça Ana Paula dos Santos com a qual viria a casar-se em 1991. Até aqui tudo bem, mas diversos relatos (não há fumo sem fogo) dão conta de várias relações extraconjugais e do envio sistemático das mulheres, engravidadas ou com os filhos nas mãos, para o estrangeiro.
É neste teia onde se pode enquadrar a relação de JES com Filomena de Sousa “Necas”(de origem cabo-verdiana) de onde originou o filho José Filomeno dos Santos (Zenu) que está sendo preparado para ocupar a cadeira do pai na presidência da República. Em Luanda, diz-se que o Presidente teve, e vai tendo, tantas outras mulheres, de quem teve outros tantos filhos que muitos conhecem, mas poucos se atrevem a comentar; isso para não falar de escândalos domésticos que em nada abonam para quem tem (ou teve) a responsabilidad e de moldar a consciência dos jovens sobre a visão da família responsável.
Salazar, outro malfadado ditador, num dos seus momentos de lucidez, afirmara que “o povo tem a tendência de imitar as atitudes de quem governa e, sobretudo os seus defeitos.” Não admira, pois, que grande parte da juventude angolana, enfeitiçada com o exemplo de cima, dê azo à sua imaginação, pervertendo-se e pervertendo a família angolana. E, neste aspecto, convenhamos, José Eduardo dos Santos, cujo reinado está chegando ao fim, prestou um mau serviço à sedimentação da família angolana.
Pedro Kufuna
(Stuttgart, Alemanha)