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| Líbia usou tecnologia do Ocidente para espionar dissidentes |
| Notícias - Saúde & Ciência |
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A sala, recentemente abandonada, está forrada de cartazes e manuais de treinamento em inglês, carimbados com o nome Amesys, uma divisão da firma francesa de tecnologia de Bull S.A., que instalou o centro de monitoramento. Há uma advertência na porta, com o logotipo da Amesys. O letreiro diz: "Ajude a manter em segredo nossas atividades confidenciais. Não converse sobre informações confidenciais fora do QG". A sala, visitada na segunda-feira pelo Wall Street Journal, dá novas e claras evidências da cooperação de empresas estrangeiras na repressão dos líbios sob o domínio do coronel Gadafi, que durou quase 42 anos. Os arquivos de monitoramento encontrados aqui incluem e-mails escritos em fevereiro, depois que a revolta da Líbia já tinha começado. Um desses registros, de 26 de fevereiro, inclui um bate-papo de 16 minutos no site Yahoo entre um homem e uma moça. Ele às vezes flerta, declarando que a alma dela foi destinada para ele; mas também teme que a oposição dele ao coronel Gadafi o tenha tornado um alvo do regime . "Estou sendo procurado", diz ele. "As forças Gadafi (...) estão fazendo listas de nomes." Ele diz que vai entrar na clandestinidade, que vai telefonar para ela de um novo número e lhe pede que mantenha seus planos em segredo. "Não me esqueça", diz ela. Este tipo de espionagem se tornou uma prioridade para a Líbia nos últimos meses, com as revoluções da Primavera Árabe que desabrocharam na região. No início deste ano, as autoridades da Líbia mantiveram conversações com a Amesys e várias outras empresas, incluindo a Narus, da Boeing Co., fabricante de produtos high-tech de monitoramento de tráfego da internet . O objetivo era acrescentar técnicas mais sofisticadas de filtragem de internet às atividades de monitoramento já existentes na Líbia, segundo pessoas a par do assunto. A Líbia buscou ferramentas avançadas para controlar o Skype, serviço criptografado de telefonia on-line, censurar vídeos do YouTube e impedir os líbios de disfarçar suas atividades on-line usando servidores"proxy", segundo documentos analisados pelo Wall Street Journal e pessoas familiarizadas com o assunto. A guerra civil na Líbia paralisou as negociações. "A Narus não comenta sobre potenciais empreendimentos", disse uma porta-voz da Narus em um comunicado. "Não houve vendas ou implantações das tecnologias da Narus na Líbia." Um executivo da Bull não quis comentar. A venda de tecnologias usadas para interceptar comunicações é geralmente permitida por lei, mas os fabricantes de alguns países, incluindo os Estados Unidos, devem primeiro obter aprovação especial para exportar dispositivos de alta tecnologia para interceptação. A Líbia é um dos vários países do Oriente Médio e norte da África que usam tecnologias sofisticadas, adquiridas no exterior, para reprimir os dissidentes. Empresas de tecnologia dos EUA, Canadá, Europa, China e outros lugares, na busca de lucros, já ajudaram vários regimes a bloquear sites, interceptar e-mails e escutar conversas. O centro de monitoramento Tripoli Internet era uma parte importante de um vasto aparato de vigilância construído pelo coronel Gadafi para espionar seus inimigos. Em 2009 a Amesys equipou o centro com tecnologia de "inspeção profunda de pacotes", uma das técnicas mais invasivas para acompanhar as atividades das pessoas on-line, segundo fontes próximas ao assunto. A VASTech SA Pty Ltd., uma pequena empresa sul-africana, fornecia ao regime ferramentas para detectar e registrar todos os telefonemas internacionais que entravam e saíam do país, segundo e-mails a que o Wall Street Journal teve acesso e fontes próximas ao assunto. A VASTech na quis comentar seus negócios na Líbia, devido a acordos de confidencialidade. |
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