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Pesquisadores angolanos fazem de lixo detergente

Pesquisadores angolanos fazem de lixo detergente

Algumas substâncias depositadas no lixo por cidadãos e empresas do país estão a ser aproveitadas, por um grupo de jovens pesquisadores angolanos, para o fabrico de detergentes em pó, com teor ecológico, soube o Jornal de Angola.

Ao criar o detergente denominado EcoOmo, os jovens angolanos, que contam com o apoio da Universidade Jean Piaget, tiveram como propósito ajudar, por um lado, a reduzir a enorme quantidade de lixo que é descartada incorrectamente pelos cidadãos e, por outro lado, reduzir a pobreza, através da implementação da economia verde.

A engenheira Química, Fernanda Renée, mentora do projecto que culminou com o surgimento do “EcoOmo”, disse que a produção deste produto de higiene começou há um ano, cujas amostras e experiências contaram com a participação de 500 pessoas, tendo sido acauteladas todas as incidências da sua utilização.

“Durante este período, fomos aprimorando a qualidade do produto e penso  que o resultado é positivo, visto que já foi utilizado por mais de 500 pessoas”, disse a propósito a engenheira angolana.

A produção do detergente ecológico, assegurada pela AmbiReciclo, foi acautelada do ponto de vista técnico, com a realização de vários testes de qualidade, com apoio da Universidade Jean Piaget, disse Fernanda Renée, para quem o produto veio dar mais impulso à economia verde e a consequente diversificação da economia no país.

De acordo com Fernanda Renée, o detergente em pó ecológico apresentado ontem, durante uma feira realizada no Distrito Urbano dos Ramiros, no município de Belas, em Luanda, difere dos outros produtos do género, a partir da sua composição química, usada no processo de produção.

Se os restantes detergentes contêm enzimas, branqueamentos, compostos aromáticos, sulfatos, perfumes e outras substâncias, o EcoOmo insere na sua composição gordura vegetal, água natural, corante orgânico e soda cáustica, o que lhe confere o carácter essencialmente ecológico, garantiu a pesquisadora. Para a engenheira, o eco detergente foi criado a pensar nas pessoas que residem em zonas urbanas  e periurbanas que dificilmente  usam o sabão nas suas actividades de higiene da roupa, preferindo o detergente em pó.

Com uma produção artesanal diária de 500 quilos, é processado em unidades de 250, 500 gramas e um quilo poderá ser adquirido a um preço ao alcance dos cidadãos de todos os estratos sociais.

Fernanda Renée e a sua equipa criaram o sabonete repelente, cujo uso no corpo humano inibe, durante quatro a oito horas, a presença do mosquito causador da malária.

O sabonete, com a marca Ecorepelente, foi criado com a finalidade de contribuir para a redução da elevada mortalidade no país, através da picada do mosquito causador da malária.

O Ecorepelente tem as certificações dos ministérios da Indústria e do Ambiente, faltando apenas a do Ministério da Saúde, que tem em  posse as amostras, há mais de dois anos, e que até ao momento mantém-se em silêncio, disse a fonte do Jornal de Angola.

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