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Eduardo dos Santos reúne bureau político do MPLA com João Lourenço na Suíça

O presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), José Eduardo dos Santos, voltou hoje a orientar uma reunião do bureau político, desta vez sem a presença do vice-presidente do partido e chefe de Estado, João Lourenço.

Segundo informação enviada à Lusa, tratou-se da primeira reunião ordinária de 2018 do secretariado do bureau político, que serviu para analisar "vários assuntos relativos ao país e à vida interna do partido" e que aconteceu depois de João Lourenço ter partido, na segunda-feira, para a Suíça, onde hoje participa no Fórum Económico de Davos, a primeira vez de Angola no evento.

A informação do MPLA refere que na reunião de hoje participou ainda Paulo Kassoma, secretário-geral do partido, entre outros membros deste órgão executivo, tendo sido apreciadas as propostas de planos de realização dos encontros a realizar com os primeiros secretários dos comités provinciais, responsáveis e quadros do aparelho central e com o comité provincial de Luanda, para transmitir "orientações pertinentes para o trabalho político-partidário", entre outros assuntos.

Desde que deixou a Presidência da República em setembro, ao fim de 38 anos, José Eduardo dos Santos tem trabalhado regularmente na sede do MPLA, partido a que continua a presidir, tendo orientado várias reuniões, entre bureau político e comité central, só desde dezembro.

No domingo, o Jornal de Angola escreveu, em editorial, que o MPLA devia "assumir com clareza" o apoio ao atual Governo.

A posição surgiu no habitual artigo de opinião assinado aos domingos pelo diretor do jornal detido pelo Estado angolano, Victor Silva, nomeado para as funções em novembro pelo chefe de Estado.

João Lourenço foi eleito Presidente da República nas eleições gerais de agosto passado, pelo MPLA, e desde que tomou posse tem traçado uma política de combate à corrupção e ao desvio de dinheiros públicos, criticando a impunidade do passado. Afastou ainda vários filhos e outros elementos próximos do anterior chefe de Estado da administração de várias empresas e instituições públicas, granjeando um forte apoio popular interno.

O próprio diretor do Jornal de Angola refere que o Governo, liderado por João Lourenço, enquanto titular do poder executivo, vive um "estado de graça", que é "fruto da coragem com que foi assumindo mudanças de vária índole".

Contudo, ressalva: "Assistimos, também a coberto de algum anonimato vergonhoso, a um conjunto de críticas pessoais à figura do Presidente da República, nomeadamente num contexto de que este se estaria a afastar das determinações emanadas pelo MPLA".

"A linguagem desbragada de alguns comunicados a coberto do anonimato, o permanente lançamento de insidiosos comentários em redes sociais, o denegrir constante de pessoas do círculo pessoal e político do Presidente da República demonstra que os tempos que aí vêm não serão apenas duros pelas circunstâncias económicas que se conhecem, mas também pela insídia que certa gente quer perpetuar quando sente os seus interesses pessoais ou familiares em causa", alerta.

Com José Eduardo dos Santos na presidência do MPLA e João Lourenço na Presidência da República - sendo ainda vice-presidente do partido -, a oposição angolana tem acusado a atual estrutura no poder de bicéfala, acusação que é oficialmente desmentida.

"O MPLA está numa encruzilhada, e se quiser manter o respeito, e futuramente a votação maioritária dos angolanos, tem de assumir com clareza um apoio a este Governo e unir esforços para que faça parte da solução e não seja um fator permanente de promotor de problemas, dispensáveis nesta hora que se vive", alerta Victor Silva, no editorial do Jornal de Angola de domingo.

O Presidente angolano disse, a 08 de janeiro, que não sente crispação com o ex-chefe de Estado José Eduardo dos Santos, mas aguarda que cumpra o compromisso anteriormente assumido, de deixar a liderança do partido em 2018.

"Só a ele compete dizer se o fará, se vai cumprir com esse compromisso. Quando isso vai acontecer, só a ele compete dizer", disse João Lourenço.

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