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Cidade do Kilamba transformada num museu da venda ambulante

Cidade do Kilamba transformada num museu da venda ambulante

A Cidade do Kilamba veio à lume envolvida na fama de ser a centralidade exemplar, civilizada, moderna entre a dimensão de centralidades que por Angola fora se encontram inseridas. A primeira vista que se tinha do Kilamba era de facto cintilante, no primórdio causadora de estupefacção abrupta à quem não está domesticado à vida urbana e civilizada similar às grandes metrópoles europeias.

O Kilamba tinha - se transformado numa cidade modelo perante Angola e quiçá perante alguns Países de África – Austral?! Pelo que ouvimos e vimos aqui e acolá, Congo, Zâmbia, Moçambique, Zimbábue e Tanzânia não têm cidades quão requintadas quanto o Kilamba era no passado. Ficando de parte África do Sul - a Europa de África, lá onde podemos achar cidades similares as existentes por Europa fora. As razões pelas quais África do Sul é distinta no espaço que traduz o continete berço, anda a verdade nua à vista de todos.

A imagem que se fazia presente na expressão da cidade do Kilamba, ditava a sua fama, como sendo uma cidade limpa e ordeira, talvez similar à um novo espaço civilizado em Angola, que difere das cidades comuns que se fazem presente por Luanda fora. Era de facto, uma grande cidade quando acabava de dar os seus primeiro passos de existência. Não havia venda ambulante alguma, que a pudesse colocar vestida de lixo nas paragens de taxs, não havia fumo em prédios a pintar suas paredes de pretom, resultante de um acto de processamento de comidas às brasas de fogarreiro; era o sossego e o silêncio que enamoravam a cidade tornando – se numa marca característica. A esfera civilizada tomava conta do seu corpo todo, perfumando – a de tranquilidade e calma urbana. A ordem e a paz eram palavras obrigatórias à sua existência.

Kilamba exerceu um papel notável no panorama da civilização luandina, que desafiava qualquer cidade angolana, até de muitos países de África subsariana, o saneamento básico do meio divagava um semblante pouco comum em Angola, de cidade dos civilizados e finos. Nem lá se foram cinco anos, desde que esta cidade era o centro da civilização urbana angolana, já encontra – se de pés descalços, completamente deposta ao abandono, primeiro os criminosos à tomaram por assalto, logo depois destes, são as vendedoras ambulantes que fazem o corpo da cidade civilizada de Angola, desde que essa deixou de ser civilizada os criminozos a trasformaram em babel do seu exercício, mal o crime terminou da dar o seu show, as vendedoras ambulantes sequestraram – na e experimentam em cima do seu corpo a sua grande festa, brincando por cima do peito da cidade, tornaram a cidade num verdadeiro paraíso da venda ambulante, vê – se nas paragens de tax um exemplo vivo desse cenário de excepcional pasmo, que nem mesmo o taxista que muito se tem por necessário, se faz presente um espaço de paragem para deter passageiros, ao passo que a venda ambulante não para de dançar ao ritmo da música da desordem, as vendedoras ambulantes desmoronam a beleza da cidade e a transformaram em praça da venda ambulante, estão ali aos montes nas paragens da Cidade do Kilamba, bloqueando paragens ao não mais poder ser, as inundações por vendedoras ambulantes nas paragens transformou a cidade num verdadeiro “museu da venda ambulante”, como escreveu Isaac Asimov “Espera mil anos e verás que será precioso até o lixo deixado atrás por uma civilização extinta”.

A cidade deixou há muito de ser o palco da civilização em Angola, agora é o lixo nas paragens que fez desta a sua marca preferida, as vendedoras ambulantes estão ali, em todas as paragens do Kilamba, não há hora que não se fazem presentes neste lugar, excepto as noites, como escreveu Ralph Waldo Emerson “O homem é o que pensa o dia inteiro. Encha-se alguém de lixo, e tudo que produzirá será desordem”.

As vendedores ambulantes se tornaram donas das paragens no Kilamba, fazem e desfazem daquele espaço, sem nenhum manifesto de civilização nem tão pouco de sanidade ambiental. Há quem para e pergunta: onde anda a administração da cidade? A resposta é clara - a ninguém compete a faculdade de o dizer; mas sabe – se que, há lá alguém nas vestes de administrador que, em nada toma por plano para impor a ordem naquele lugar, como dizia Silva Tavares ao Coronel:

“O Senhor tem que dar um fim àquilo imediatamente, mesmo tratando – se de um processo que tenha de socorrer vidas de pessoas à busca do pão. A ordem pública tem que ser restaurada. Contudo se o senhor Coronel não se sente capaz de honrar os compromissos do cargo, eu arranjarei um substituto à quem possa dar ordens. É urgente acabar com os tumultos”. 

 Somente decisões corajosas às vezes mudam o curso natural dos fenómenos recurvados vigentes no mundo, há que tomá – las de imediato, o Kilamba clama em alta voz que a técnica já inventou a sua mensagem, porque é a venda ambulante que faz à sua peste, como javalis atacando cães na selva, tal como escreveu Eduardo Bonin “Se realmente queres conhecer a civilização de uma cidade, começa os seus citadinos, o seu sossego e o seu lixo”.

Não há civilização alguma que se expresse no lixo. Se houver vontade administrativa para mudar o panorama actual da cidade do Kilamba, esta deve primar por pôr fim à venda ambulante nas paragens da cidade do Kilamba (...), para se poder evidenciar uma cidade civilizada e asseada sendo aplaudida pelo mundo civilizado (...), tomando por decisões alternativas correctas como diz o adágio “O rio atinge seus objectivos porque aprendeu a contornar obstáculos”, não se pode aceitar que o brilho da cidade se perca no lixo e na venda ambulante. É necessário chamar as ideias à acção prática, para que se tenha de mover o rosto das paragens do Kilamba invadidas por vendedoras ambulantes, e, se exprima o sentido de cidade civilizada ante revelada no passado. É preciso acabar com o tão desastroso cenário que fez da cidade um verdadeiro “museu da venda ambulante”, para tal é necessário que o Sr. administrador da Cidade do Kilamba faça visitas de campos, não na vanguarda de seu carro, mas a pé, para observar à vista desarmada de forma miúda o Kilamba convertido num quintal de meninos mimados, com todos os detalhes da cidade, desde os bons aos maus pormenores, tendo isso revelado terá desde logo, planos de acção à impor como ordem, como dizia Lao-Tsé “Quem conhece os outros é inteligente. Quem conhece a si mesmo é iluminado. Quem vence os outros é forte. Quem vence a si mesmo é invencível”. O administrador não deve se limitar na espera da informação que vem à boleia de uma muleta, deve ir ao terreno para ver com os próprios olhos o que se passa lá fora dos morros do quintal, como diz o adágio popular “Se quiser algo bem feito, faça-o você mesmo”, palavreando João Bosco da Silva “A responsabilidade social e a preservação ambiental significa um compromisso com a vida e com a humanidade”.

Por João Henrique Rodilson Hungulo

Haja luzes sobre as trevas!

Last modified onQuarta, 08 Agosto 2018 16:48
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