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Comprar escritórios em Luanda é alternativa à desvalorização cambial mas não trava crise

Comprar escritórios em Luanda é alternativa à desvalorização cambial mas não trava crise

A aquisição de escritórios em Luanda está a ser encarada como uma forma de proteção dos investidores face à desvalorização do kwanza angolano, mas insuficiente para travar as quebras no negócio, que chegam aos 30%, em 2017.

A informação consta de uma análise ao mercado (2017/2018) feita pela consultora imobiliária angolana Pro-Prime, que perspetiva que em 2018 "deverá manter-se a tendência de aquisição de escritórios como investimento de refúgio face à desvalorização do kwanza", no mercado de Luanda.

Só desde a introdução do novo modelo cambial flutuante, a 09 de janeiro, o kwanza já desvalorizou 30% face ao euro e 22% para o dólar norte-americano.

O levantamento da Pro-Prime, consultado hoje pela Lusa, indica que o valor médio de cada metro quadrado (m2) de escritórios novos na zone central da cidade de Luanda desceu para 6.000 dólares (4.860 euros) em 2017, uma quebra de 6,25% face a 2016, enquanto o valor do aluguer de cada m2 caiu 12,5%, para 70 dólares (57 dólares) mensais por m2.

A consultora aponta que o mercado de escritórios em Luanda "continuou a perder dinamismo" em 2017, cenário "influenciado pela desaceleração da economia e saída de empresas internacionais", sendo que a "absorção de espaços tem sido reduzida, o que tem pressionado preços e rendas em baixa".

No resto da cidade, fora da baixa e outras zonas centrais, o valor médio por m2 de cada escritório novo desceu 21,1% em 2017, para 4.138 dólares (3.350 euros), enquanto o aluguer mensal caiu 28,5%, para 50 dólares (40 euros) por m2.

Citado no estudo, Valdire Coelho, o diretor da Pro-Prime - que além de Angola está presente em Portugal, no Brasil, em Cabo Verde e em Moçambique - explica que a crise cambial "e a saída dos expatriados" de Angola tem "pressionado o mercado imobiliário em baixa, com a atividade hoje sobretudo direcionada para o cliente doméstico".

"Será um ano [2018] desafiante para o imobiliário, face às perspetivas traçadas para o desenvolvimento económico e ao clima da incerteza e expetativa que ainda predomina entre os agentes do setor", admite Valdire Coelho.

Já comprar escritório fora da cidade, na área designada como Luanda Sul, a cerca de 15 quilómetros do centro da capital, custava em média, no final de 2017, cerca de 3.600 dólares (2.900 euros) por m2, uma quebra de 20% no espaço de um ano, enquanto o aluguer mensal desceu 25%, para 45 dólares (36 euros) por cada m2.

"Contudo, é notória a crescente capacidade de adaptação da promoção e investimento imobiliário ao novo momento do mercado, cujos principais efeitos devem começar a fazer sentir-se em 2018", admite o diretor da Pro-Prime.

O estudo aponta ainda que o valor médio dos apartamentos no centro de Luanda desceu 6% em 2017, para 925.000 dólares (750.000 euros), enquanto nos arredores a queda foi de 10%, para 790.000 dólares (640.000 euros).

"A retração da procura de casas por parte dos expatriados, devido ao reajustamento da presença de muitas multinacionais no país, alterou o paradigma da procura deste tipo de imóveis. Os compradores domésticos são agora o público mais ativo e denota-se uma maior apetência por tipologias maiores. Do lado da oferta, os promotores adaptam-se, com a maior aposta em moradias de tipologias T4 e produtos nos segmentos médio e médio-baixo", refere o estudo da consultora.

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